domingo, 5 de fevereiro de 2012

O rio da vida

- Seja mais generosa com você mesma! - lhe disse Olívia, com seus olhos cheios de ternura e sua vozinha suave e tranquila.

- Mas eu sou generosa comigo mesmo! Isso não quer dizer que eu tenho que aceitar isso que aconteceu! Olha só esse resultado! Isso foi ridículo! Meu Deus, que vergonha! Não acho que eu tenho que me "auto-compadecer" e sim atentar para a realidade de que eu não fui bem, eu cai! - Elisa falava arfando. Estava com raiva. Com muita raiva de si mesma, da vida, do mundo..." Que injustiça! Que droga! Eu sou uma droga!", não parava de pensar.

- Querida, você precisa cair ás vezes. Cair não dói, se você souber como cair. E a gente só aprende como cair quando a gente é generoso e se olha com compaixão. Se você tentou, não importa como, mas se fez qualquer tipo de esforço, e depois caiu, basta você olhar para trás, lembrar que se esforçou; então, a queda foi uma consequência da tentativa...

Elisa já quase não a escutava mais. Olhava ao longe, pela janela. Primeiro viu a rua movimentada, os prédios altos, os carros, as pessoas, o barulho... Depois foi como se transcendesse tudo aquilo e começou a ver somente o céu azul, as folhas verdes batendo, e de repente um silêncio. Elisa fechou os olhos. Elisa chorou. Mas a voz de Olívia parecia retornar à sua mente e ela a ouvia novamente dizendo: " Pense em tudo o que você passou. Veja a sua história como um rio. Observe esse rio, cujas águas vão rolando tranquilas...Não importa que uma pedra perturbe a calmaria do rio, é só um estalo...  Olhe por onde essas águas já passaram... Ela era um fiozinho de nada, e foi ganhando volume... Mais água se juntou a ela, virou um rio; o rio atravessou planícies, montanhas, cachoeiras, passou por debaixo da terra. É justo dizer a esse rio, que enfrentou tanta coisa, que ele não vale a pena? Que é um fracasso? Jamais. Olhe para a sua vida, para a sua história como você olha para esse rio... E tenha auto-compaixão."

E Elisa se lembrou de tudo pelo o que passou nos últimos meses. Preocupações, angústias, medos, dores, perdas... Lembrou do quão fragilizado estava o seu coração naquele momento; tão frágil, que até fisicamente ela não estava bem. Não era justo ela pedir tanto á si mesma... As coisas não estavam fáceis, mas ela estava de pé, e isso era muito, era tudo. Ela não podia cobrar mais nada de si mesma. Agora, era só esperar...

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