quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

O mito por trás da lenda de que "atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu".

"Atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu". Esse refrão deve ter sido inventado por um dono de bloco de carnaval, querendo ganhar dinheiro com a venda de fantasias, mortalhas ou abadas. Eu estou vivinha da silva e não estou atrás do trio elétrico! E muita gente como eu também não esta! E daí? Não estamos mortos e não somos e.ts!

Há diversas formas de ser feliz. Por que eh tão difícil para as pessoas entenderem isso? Nem todo mundo precisa ir para todas as baladas do mundo para poder afirmar "eu sou feliz". Ao contrário: tem muita gente fazendo pose de felicidade, enquanto a realidade eh outra.felicidade eh ser honesto com si mesmo,com quem realmente a gente eh.

Moro na cidade mais complicada para ser feliz! Salvador eh a cidade da festa: do dia 1 de janeiro a 31 de dezembro, 24 h por dia. Começa o verão e tem festas de verão, ensaios etc. Ai vem carnaval, e depois as festas pós carnaval, e vem as festas antes do são joão, e vem o são João, pós são João e depois as festas de verão voltam e continua tudo de novo. Resultado: se vc não for para tudo isso vc não eh baiano, você não eh normal, eh um nerd, alienado, infeliz, um e.t.

Fala sério! Isso eh muito chato! Eh como se fosse uma obrigação! Nem todo mundo gosta desses tipos de festa, nem todo mundo tem grana para ir para tudo, nem sempre a pessoa sente vontade de ir, e qual o problema? Continuamos felizes do mesmo jeito, de outras maneiras.

Felicidade eh algo interno, não tem a ver com carnaval!

Hoje eu não vou para o carnaval, talvez eu vá amanha, ou talvez depois, ou talvez não vá! Sou baiana legitima, brasileira,animada, gosto de dançar, pular, ficar quieta,ler um livro, e ser eu mesma. Sou feliz.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

À espera de um eclipse

Mais uma vez encontro-me no meio de uma encruzilhada: ou isto ou aquilo. Uma escolha. Em uma escolha há uma opção e uma desistência: você abre mão de uma coisa para obter outra. A vida é assim.

A vida é feita de escolhas - frase batida, mas perfeitamente condizente com a realidade do ser humano. A todo momento precisamos escolher: se vamos brincar de boneca ou de esconde-esconde; se vamos fazer vestibular para Medicina ou para Direito; se vamos atuar na área x ou na área y... Enfim. Não tem para onde fugir. Ou isto ou aquilo, meus caros.

Realizar um sonho ou lutar pelo futuro? O futuro não seria - ou deveria ser - também um sonho? E quando não dá para ter os dois ao mesmo tempo? Podemos adiar um dos dois - sim, porque nem sempre precisamos abrir mão totalmente, basta apenas esperar. Mas o que faremos primeiro?

A ansiedade nos convence de que devemos aproveitar a vida intensamente, sem pensar no depois. Carpe Diem! Podemos morrer amanhã e precisamos ter vivido plenamente! Mas bom... Quais as possibilidade de morrer amanhã? Podem ser muitas, podem ser poucas...Depende. Se forem muitas: o sonho. Se forem poucas: podemos pensar - mas não pense muito.

O sonho é o reluzir de olhos, o sorriso aberto, o coração disparado. O sonho é um enigma, uma descoberta, uma aventura de toda uma vida.

Mas e o sentimento, o desejo de fazer algo maior? Sim, o futuro. Não digo um futuro distante, mas um futuro que pode começar a ser construído agora e que impossibilita a realização imediata do sonho. 

O futuro é a missão de uma vida, de um ser. É o alcance do sonho mais íntimo que todos nós temos. É a realização de toda uma vida.

Ir ou ficar? Correr ou esperar? Correr para a direita ou para a esquerda? Não é tão simples assim, quando todos os lados oferecem opções que se desejam.

Fico com o fenômeno do eclipse: quem diria que a Lua e o Sol, fadados a viverem separados pelo amanhecer  ou entardecer, viriam a se encontrar assim tão juntos, que parecem um só?

domingo, 5 de fevereiro de 2012

O rio da vida

- Seja mais generosa com você mesma! - lhe disse Olívia, com seus olhos cheios de ternura e sua vozinha suave e tranquila.

- Mas eu sou generosa comigo mesmo! Isso não quer dizer que eu tenho que aceitar isso que aconteceu! Olha só esse resultado! Isso foi ridículo! Meu Deus, que vergonha! Não acho que eu tenho que me "auto-compadecer" e sim atentar para a realidade de que eu não fui bem, eu cai! - Elisa falava arfando. Estava com raiva. Com muita raiva de si mesma, da vida, do mundo..." Que injustiça! Que droga! Eu sou uma droga!", não parava de pensar.

- Querida, você precisa cair ás vezes. Cair não dói, se você souber como cair. E a gente só aprende como cair quando a gente é generoso e se olha com compaixão. Se você tentou, não importa como, mas se fez qualquer tipo de esforço, e depois caiu, basta você olhar para trás, lembrar que se esforçou; então, a queda foi uma consequência da tentativa...

Elisa já quase não a escutava mais. Olhava ao longe, pela janela. Primeiro viu a rua movimentada, os prédios altos, os carros, as pessoas, o barulho... Depois foi como se transcendesse tudo aquilo e começou a ver somente o céu azul, as folhas verdes batendo, e de repente um silêncio. Elisa fechou os olhos. Elisa chorou. Mas a voz de Olívia parecia retornar à sua mente e ela a ouvia novamente dizendo: " Pense em tudo o que você passou. Veja a sua história como um rio. Observe esse rio, cujas águas vão rolando tranquilas...Não importa que uma pedra perturbe a calmaria do rio, é só um estalo...  Olhe por onde essas águas já passaram... Ela era um fiozinho de nada, e foi ganhando volume... Mais água se juntou a ela, virou um rio; o rio atravessou planícies, montanhas, cachoeiras, passou por debaixo da terra. É justo dizer a esse rio, que enfrentou tanta coisa, que ele não vale a pena? Que é um fracasso? Jamais. Olhe para a sua vida, para a sua história como você olha para esse rio... E tenha auto-compaixão."

E Elisa se lembrou de tudo pelo o que passou nos últimos meses. Preocupações, angústias, medos, dores, perdas... Lembrou do quão fragilizado estava o seu coração naquele momento; tão frágil, que até fisicamente ela não estava bem. Não era justo ela pedir tanto á si mesma... As coisas não estavam fáceis, mas ela estava de pé, e isso era muito, era tudo. Ela não podia cobrar mais nada de si mesma. Agora, era só esperar...

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Iemanjá, se cuida!

Hoje Salvador acordou feliz e está indo adormecer triste e com medo. Iemanjá já vestiu seu colete à prova de balas. Ninguém mais canta na cidade, nada mais é festa; é grito, é medo, é horror.
Mais uma vez, a população baiana fica à mercê dos políticos corruptos que só aparecem na hora do carnaval para dar "tchauzinho" para a Tv e dizer " O Carnaval de Salvador é lindo, fui eu quem fiz". Na hora do caos - não só na segurança pública como está ocorrendo hoje, mas também durante os períodos de chuvas que sempre causam dezenas de desabamentos e mortes - os nossos políticos simplesmente desaparecem, como em um passe de mágicas. Quando muito, aparecem rapidamente dando explicações estapafúrdias e colocando a culpa em terceiros e, "plim", somem de novo!

A atual segurança pública em Salvador é a pior já vista na cidade. Ninguém mais anda nas ruas com paz, com tranquilidade; saímos e voltamos de casa com medo; os jornais locais jorram sangue todos os dias. E por que? Porque a pobreza no Estado da Bahia continua crescendo; porque as oportunidades de educação, saúde de qualidade, e emprego continuam não atendendo à crescente demanda da população; porque faltam policiais e, os que tem, são mal remunerados e trabalham em condições lastimáveis. Ou seja: Salvador é um barril de pólvora e, consequentemente, uma hora explode. Hoje explodiu.

É revoltante sabermos que nossa vida, integridade física e segurança estão entregues nas mãos dos gestores dessa cidade e desse Estado, que estão preocupados apenas com os seus "jogos políticos". Ao mesmo tempo, me revolta assistir uma população que, de tão ignorante, festeja o dia de Iemanjá, muitas vezes alheia ou alienada do caos que está ocorrendo na cidade.

Então eu penso: e se todas as centenas de pessoas que foram fazer oferendas à Iemanjá se reunissem contra o atual governo de Salvador e da Bahia? Alguma coisa ocorreria, sem dúvidas. Mas os políticos se aproveitam da ignorância desse povo para torná-los ainda mais ignorantes e, assim, se manterem no poder. 

Daqui a duas semanas será Carnaval e a realidade será exatamente como a que eu vi em uma foto no facebook: o arrastão ocorrerá atrás dos trios elétricos e ninguém mais se lembrará do caos na segurança pública da cidade... Até que um outro ocorra novamente.