quarta-feira, 6 de março de 2013

O imponderável da vida

O imponderável da vida.... A impermanência... Por que as pessoas morrem? Por que certas pessoas são quase arrancadas da vida sem terem, ao menos, a chance de se despedir, de se preparar? Qual a razão de viver e morrer sem ter experimentado tudo o que a vida oferece? Para quê o prazer de vivenciar o nascer e o pôr do sol, se no dia seguinte seremos apagados desse mundo, sem levar lembranças? Qual a razão? Por que estamos aqui mesmo?

Não entendo certas coisas. Na verdade, certas coisas não podem ser entendidas. Talvez porque não exista razão, talvez porque ainda não estejamos preparados para saber a razão.

Poderíamos encarar a vida de forma mecânica. Somos seres vivos, aglomerados de células que formam moléculas, que formam tecidos, que se especializam e formam orgãos... Tudo simplesmente científico. Vivemos porque esse grande organismo funciona, nosso coração bate, e inspiramos oxigênio e liberamos CO2. Nossos sentimentos e emoções nada mais seriam do que o fato de sermos seres sapientes, que "sabemos que sabemos", de modo que podemos refletir sobre nós mesmos. Seria mais fácil se fosse assim. Seria? No momento em que o ar parasse de entrar, e o coração de bater, desligamos e pronto. Mas não é fácil.

Não é fácil porque sentimos. A ciência não explica o sentimento. As sinapses não são suficientes para explicar o sofrimento, o amor, a tristeza, o medo. Sentimos quando estamos perto de ir embora, sentimos quando alguém está perto de ir embora. Sentimos dor. O mundo é tão belo, a vida é tão bela, as pessoas são tão amadas por nós. E vamos embora sem levar nada conosco. O mundo, a vida, as pessoas, tudo isso permanece (ao menos por um tempo), mas nós vamos. E não levamos lembranças, nem a sensação de estar vivo, de ver o pôr do sol ou olhar para o mar. Nossos olhos se fecham e não há mais nada.

Vivo na esperança de que exista um outro plano. Um plano espiritual, ou qualquer outra coisa, que ao menos abrigue esse pedaço de nós que chamamos de alma. Se a alma permanece, temos esperança. As coisas não acabam. Se transformam. Quero poder ir embora um dia e saber que ainda conversarei com os meus parentes, minha mãe, meu pai. Que um dia nos encontraremos. Poder vivenciar novos sabores, novas experiências. Será que nesse plano existe um arco íris em que podemos escorregar? Ou um lago feito de chocolate? E o sol poderá nascer cada dia de uma cor? Ou se nada disso existir, que seja ao menos tão bonito como o Universo em que vivemos...

Que possamos saborear e mergulhar no infinito que temos hoje, independente do tamanho desse infinito - como diria, talvez, Jhon Green,

Termino esse amontoado de pensamentos e esperanças com a frase de Green: "talvez o Universo queira apenas ser percebido".

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