segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Um dia estaremos vivos apenas em fotos.
Nosso riso se transformará em uma imagem em duas dimensões.
Nossa felicidade será um retrato empoeirado em um álbum velho.
Talvez não se lembrem de todos os nossos nomes.
Ninguém saberá o assunto da nossa conversa, ou o motivo da nossa festa.
Os detalhes da nossa história se perderão com o vento.

Cadê o movimento ? A bagunça? O auê ?
Estaremos estáticos no retrato.
Nossas cores vivas estarão desgastadas, sem cor.
Nosso amor, onde estará ?

O amor estará percorrendo o sangue daqueles que sobrevieram.
Não saberão, mas a felicidade deles resultará da nossa.

A nossa casa, o nosso jardim, o nosso sofá.
O calor incandescente, o banho de mangueira,
a bacia com água que vira piscina.
Onde estará ?

Em cada peça há um risco, um rasgo, um traço,
uma memória.
Memória que se dispersa com o vento, e que se desfaz
como areia.

Mas se o riso é amor, a festa é amor, a conversa é amor,
a bagunça, a cor, a casa, o jardim, o sofá,
o risco, o rasgo, o traço
são todos amor
Então ele entranhará nas veias dos novos
e reviveremos através deles.

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