E agora, meu bem,
o que será de nós dois?
Se já não existe mais dois,
só um e outro, dois estranhos
esquecidos da vida
em quarto, em uma ilha,
aonde o vento nos levou.
O que serão das noites perdidas,
das transas não feitas,
dos beijos não dados,
do cinema vazio?
As danças, os cantos e os risos
se foram junto com o vento...
Tempo.
E os sonhos guardados,
os planos desfeitos,
os filhos não tidos,
a casa desfeita...
Onde coloco isso tudo?
Você foi embora
nem me disse ao menos o que fazer.
Me deixou com todos esses sonhos,
palavras, lembranças e promessas.
Tenho que me livrar deles sozinha
e, aos poucos, é isso que eu faço.
Às vezes você chega em meu pensamento,
assim, como quem não quer nada, sem me avisar...
E quando percebo, já é tarde, você voltou,
e agora sou eu quem tenho que me livrar de você.
Espero o tempo,
que te leve para longe.
Espero o vento,
que te varra dos cantos
para que você não ouse neles se esconder.
E espero mais...
Um dia te farei uma carta
ou talvez um poema,
te dizendo nas entrelinhas
tudo o que aconteceu.
E te perguntando, de novo,
o que aconteceu?
Quem sabe fique mais claro
porque você pegou carona no vento
e foi embora levando meu tempo
e nunca mais quis voltar.